terça-feira, 22 de novembro de 2011

    Era uma coisa assustadora, essa sensação de que um buraco havia sido aberto no meu peito, fazendo meus orgãos vitais pararem de funcionar, e deixando-os em trapos, com cortes não curados nas beiradas que continuavam doendo e sangrando mesmo com a passagem do tempo. Racionalmente eu sabia que meus pulmões deviam estar intactos, mas mesmo assim  eu lutava por ar e minha cabeça rodava como se meus esforços não me levassem a nada. Meu coração devia estar batendo também, mas eu não conseguia ouvir o barulho da pulsação nos meus ouvidos; minhas mãos pareciam azuis de frio. Eu mi curvei, abraçando minhas costelas, pra me manter junta.
    Eu procurei pela minha torpência, minha negação, mas elas tinham mi abandonado. E mesmo assim, eu achava que podia sobreviver. Eu estava alerta, eu senti a a dor -  a dor da perda que irradiava o meu peito, mandando ondas de dor pelo os meus orgãos e minha cabeça.Mas era suportável.
   Eu podia sobreviver. Eu não senti que a dor tinha diminuindo com o tempo, mas eu tinha ficado forte o suficiente para suportá-la. O que quer que tenha acontecido esta noite, isso me acordou.
   Pela primeira vez em muito tempo, eu não sabia o que esperar pela manhã.

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